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5 O Casamento entre a Razão e a Miséria
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O Casamento entre a Razão e a Miséria

Autor Luiz Solano
Equipe Luiz Solano, Gabriel Biselli
País Brasil

O casamento entre a Razão e a Miséria* é a união de dois corpos. Não opostos, mas distintos. Dois corpos. De mesma ascendência, um deles é a reprodução em escala de parte do Edifício Niemeyer (1954) e o outro a Palafita 06 (década de 1980).

União sagrada e profana, porque fruto do acaso e também de um arranjo, os dois corpos se atraem pelo rigor geométrico: a regularidade de um se funde à sinuosidade do outro. Contenedor de todas as formas, o espaço aberto do grid desloca e ampara os 7.000 metros que distam a Praça da Liberdade do Bairro Buritis.

O mock-up do Edifício Niemeyer é a extrusão do perímetro de um pavimento-tipo repetida em toda a altura da Palafita. Os planos verticais do Edifício – construídos a partir de chapas de compensado resinado, comum aos canteiros de obras – são destacados pela sua coloração rosa e quando interrompidos pela declividade do terreno e devassados pelos pilares e vigas da Palafita.

Ao invés de solução técnica, o casamento é um projeto decididamente formal e plástico. A escolha da Palafita 06 é justificada pela ausência do acesso público. Os dois corpos devem ser contemplados de longe ou por reproduções – é prevista a exibição dos desenhos e fotografias de sua construção nos potenciais espaços expositivos desenvolvidos pelos outros participantes.

Seguindo a tradição dos arranjos, essa união tem objetivos claros. Coloca à luz desenho e construção, ao mesmo tempo que, sem nostalgia, reescreve os desafios e as pesquisas da arquitetura nacional de outrora. Êxito e falência em lua de mel.



* Em The Marriage of Reason e Squalor, II (1959), Frank Stella usou tinta automotiva de esmalte preto comercial (enamel) e uma escova de pintura residencial para construir as grossas faixas pretas da tela. As dimensões das faixas são da mesma largura do pincel utilizado. As finas linhas brancas não são pintadas; são lacunas entre as faixas negras nas quais a tela “crua” é visível. Stella construiu as faixas pretas paralelamente entre si e às bordas da tela, rejeitando pinceladas expressivas em favor de uma estrutura geral, reconhecendo a tela como superfície plana e, ao mesmo tempo, um objeto tridimensional.

Stella identificou seus materiais e processos com os de um trabalhador de fábrica. Sobre a maneira de pintar, Stella disse: “Minha pintura é baseada no fato de que apenas o que se pode ver está lá ... O que você vê é o que você vê”. Em vez de pintar algo “reconhecível”, a pintura de Stella é sobre o próprio ato de pintura, seus meios e seu resultado.

(Verbete traduzido e adaptado livremente a partir do glossário online do MoMA. Disponível em https://www.moma.org/learn/moma_learning/frank-stella-the-marriage-of-reason-and-squalor-ii-1959. Último acesso em 04 de fevereiro de 2019, às 23h33 – São Paulo - SP, Brasil.)

comentários do júri


Proposta simples e poderosa com bela representação gráfica.

O arquiteto mais icônico do Brasil, com suas formas específicas, é colocado em contraste com o local proposto. No entanto, mesmo o seu edifício emblemático, o Ed. Niemeyer, conforma uma palafita! Nesta ótica, a proposta promove um encontro inusitado entre Modernismo X Buritis / Pilotis X Palafitas, elementos dissonantes mas também semelhantes.

Pontos que podem ser considerados para Fase 2:
- Quais seriam as atividades desempenhadas neste espaço? O público poderá adentrar a instalação?
- Materiais translúcidos poderiam ser especificados para configurar uma lanterna à noite?
- O edifício selecionado é emblemático por suas lâminas/brises soleils. Não seria oportuno exaltar este aspecto ao levar sua geometria para outro contexto?
- O júri ressalta que a proposta é uma conexão forçada entre elementos distintos da cidade, mas a escolha do título da proposta não nos parece adequada: a associação entre as faixas sugeridas pela obra de Frank Stella (ligadas diretamente à materialidade da pintura e todo o debate em torno dessa questão no contexto da época) e os brises de Niemeyer poderia ser considerada.
- O que é, na relação sugerida pela proposta, a Razão e a Miséria?

6 Oceanário Artificial Internacional [ BURITIS ]
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Oceanário Artificial Internacional [ BURITIS ]

Autor Daniel Jesus
Equipe Daniel Jesus
País Brasil

Sobre a obra:

“Pergunto coisas ao buriti; e o que ele responde é: a coragem minha. Buriti quer todo azul, e não se aparta de sua água - carece de espelho”.

É neste trecho do livro “Grande Sertão: Veredas”, de Guimarães Rosa, que esta obra encontra o seu dispositivo. Assim como a admiração da Secretária de Planejamento Urbano de Belo Horizonte em 1976, Dra. Ismaília de Moura Nunes pelo autor e que batizou em sua homenagem o bairro com o nome BURITIS - sendo Buriti o nome de uma palmeira muito presente na obra de G. Rosa -, a intervenção artística “Oceanário Artificial Internacional [ BURITIS ]” encontra a sua criação e estímulo inspirados no “Todo Azul” poético, no “Não se apartar da água” como desejo conceitual e visual. Mas não somente a água em toda a sua potência com nascentes, rios e bacias, mas a água (e, principalmente, a vida) dos oceanos, somando-se inevitavelmente ao resgate da utilização das palafitas em suaS origeNS, enquanto sistemas construtivos de sustentação em edificações localizadas em regiões alagadiças, desde o período neolítico. Daí o surgimento da presente ideia: construir na palafita 09 (Maria Heilbuth Surette),uma das maiores do circuito traçado no presente edital “Outros Territórios”, um Oceanário Artificial, transformando este extenso espaço inativo, inóspito e ignorado, em foco de refúgio, de contemplação, de curiosidades e quem sabe, de sensibilidades.

Um oceanário que pede atenção nacional e internacional, Um oceanário artificial construído com bóias e botes infláveis de animais realísticos e obviamente, também a representação do lixo produzido e descartado pelo ser humano, instituindo todo um universo de plástico. Afinal, como falar um oceano, de um rio, de uma mata, de uma floresta hoje em dia sem esses novos elementos intrusos e mortíferos que infelizmente fazem parte da atual natureza? Segundo dados da Assembleia Geral das Nações Unidas, ainda de 2018, cerca de 80% dos plásticos produzidos no mundo terminam nos oceanos, significando entre oito e doze milhões de toneladas por ano e que os microplásticos já se encontram no sal e na água. Consequentemente se presume que cada pessoa no planeta tem plástico em seu corpo. A poluição por plástico nos oceanos é um desafio à escala global, como o desafio das alterações climáticas, e é um perigo para todas as espécies, incluindo a espécie humana.

comentários do júri


Proposta com aspectos plástica e conceitualmente positivos, divertida e irônica. (Um aquário no alto da montanha em um estado onde não há mar!). Este projeto enfatiza a possibilidade de que este espaço poderia abrigar um oceanário.

Durante a noite é impressionante e pode ser avistado de longe. É pertinente ao local proposto. No entanto, não conforma um espaço de permanência...

Sugerimos que na Fase 2 alguns pontos sejam repensados ou analisados:
- Como os objetos ficarão suspensos em seu devido lugar?
- Qual seria a ocupação no período matutino?
- Presente em toda a estrutura, o fundo azul é fundamental na definição visual da proposta. Tecnicamente, como será obtida a distribuição dessa luz tão uniforme e onipresente?
- A organização pode coletar ou pegar emprestado objetos marítimos e/ou de piscina de vizinhos que os pegariam de volta no final da mostra.

7 Turbina Eólica Urbana
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Turbina Eólica Urbana

Autor André Brandão
Equipe André Brandão
País Brasil

Proposta de um sistema de captação de energia eólica a partir de turbinas instaladas nas vigas da palafita. Além de gerarem energia para o edifício, as turbinas de eixo vertical, se comportam como esculturas cinéticas refletindo a luz e a paisagem do bairro. Esta intervenção propõe uma reflexão sobre a produção de energias renováveis em meio urbano, como solução para a economia de recursos e preservação do meio ambiente.

comentários do júri


É uma proposta que busca a experimentação e explora alternativas ecológicas na ocupação da cidade com simplicidade. Reflete o uso dos equipamentos urbanos.

Para a Fase 2, sugerimos:
- Qual é a energia gerada? Seria possível iluminar o espaço da intervenção com a mesma?
- Seria possível, devido à escala, inserir esta escultura em outro espaço?

menções honrosas

Archeólogis Buritis
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Archeólogis Buritis

Autor Marcelo Venzon
Equipe Ricardo Landulpho Justi
País Brasil

A proposta consiste no lançamento de um evento de "arqueologia imobiliária" organizado por uma incorporadora fictícia, a Archeólogis SA, compreendendo a produção de um espaço físico de arquitetura similar aos "stands" de vendas imobiliários para abrigar o mesmo, uma expedição arqueológica com os moradores do edifício a fim de coletar artefatos, produção e distribuição de material gráfico publicitário e, por fim, uma aula aberta sobre arte e arqueologia urbana no dia do evento.
Essas ações buscam convidar os moradores e a população local a refletir sobre o território, mercado e identidade de uma maneira provocativa e irônica, por meio da experiência física e teórica destes espaços.

comentários do júri


Única proposta que busca refletir sobre a especulação imobiliária de fato.
No entanto, a escolha pela Palafita Caverna não é adequada, tendo em vista que sua realização demanda a participação das pessoas e há alguns pontos pouco claros em sua viabilização.

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menções honrosas