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Domus
palafita-esbelta

Domus

Autor Giuliana Bello
Equipe Amanda Figueiredo Amicis, Giuliana Isis Garcia Bello
País Brasil

O presente trabalho tem a intenção de dar voz aos vazios urbanos existentes no bairro de Buritis, Belo Horizonte, através de uma intervenção arquitetônica, a qual busca refletir sobre a atual circunstância desses terrenos vagos e extrair potencial dos tais, criando identidade e especificidades a esses locais até então esquecidos.
O Bairro de Buritis pelo seu terreno montanhoso, foi alvo de uma especulação imobiliária que negligenciou de seu entorno e terreno de inserção, a arquitetura resultante foi fruto de um desenho repetitivo e soluções frágeis, que seria vencer tais desníveis apoiando os edifícios sobre palafitas. Os prédios se distanciaram dos solos e esses entremeios viraram áreas as quais não pertencem à rua e tampouco aos moradores. Hoje são áreas abandonadas, escondidas e sufocadas pelas construções verticalizadas que se dão sobre elas, esses entremeios são resíduos urbanos, os quais segundo Marc Áuge, seriam classificados como Não Lugares, ou seja, um lugar que não se pode definir nem como identitário, nem como relacional e nem como histórico.
Analisando esses labirintos de palafitas nossa principal intenção foi ativar esses lugares, devolvê-los à cidade e principalmente ao pedestre. A proposta se baseia em um circuito, o qual se daria por uma malha de redes de arborismo que formam um grande percurso e liga a maior com a menor cota.
“O Domus é um espaço e um tempo comum. É isso que constitui o lugar. Um espaço- tempo doméstico, compartilhado por todos, onde cada um encontra seu lugar e seu nome (...) A comunidade cultiva a morada, a obra comum é o domus...”Brissac, Nelson.
Nossa proposta: Domus tem a pretensão de ser mais que um vazio, ser um lugar, unindo o tempo e o espaço, por isso respeitamos o caráter exploratório e experimentativo da área de intervenção, onde o usuário já espera encontrar algo inesperado, por estar em um lugar inusitado da cidade, o que o faz ser mais receptivo ao provar um novo caminhar, um novo tipo de descer escadas, um novo tipo de enquadramento da paisagem, ou seja uma nova relação homem X espaço.
É nessa relação do homem com o espaço que se cria lugar, mais que isso se cria o espaço público, o coletivo, o comunitário. Intervir nessas palafitas, dar acesso a elas e permeabilidade é integrar esses hiatos da cidade à malha urbana.

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